Papo de Sexta: Silmar do Fortaleza e a situação do Campo do Travessão

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O Papo de Sexta conversa com Silmar, presidente do C.A Fortaleza que trata com raro cuidado do Campo do clube.Com 51 anos, toca sem apoio um trabalho social gigante, e revela detalhes das reformas dos campos de Caraguatatuba.

EC-Como está a situação do Campo do Fortaleza e qual a perspectiva para os próximos meses?

S- Hoje ainda é deficiente, está ruim, a grama está fechando,mas temos boas perspectivas com a nova gestão. Hoje temos mais diálogo, fica mais fácil de trabalhar

EC- Qual dificuldade de diálogo você estava encontrando?

S- Pelo menos agora somos ouvidos.Estão trabalhando com os bairros, o Secretário de Obras esteve aqui e perguntou qual melhoria era necessária para o campo, antes tínhamos que engolir goela abaixo, quero assim e pronto e acabou e nós tínhamos que aceitar pois não tínhamos outra opção

EC-O que ocorreu de errado na reforma de campos que foi anunciada pela última gestão que está causando tantas reclamações?

S- Só aqui no Fortaleza nos últimos 8 anos foram gastos 800 mil reais.É a terceira reforma que não sai. Interesses que eu não sei explicar fizeram com que o dinheiro fosse gasto tenho certeza, mas foi mal gasto.Faziam do jeito que queriam e na placa estava escrito ‘’reforma’’, e achavam que do jeito que saísse estava bom. Plantaram uma grama que é capim, grama que o DER planta nas estradas, resultado, encheu de praga e agora teremos que aguardar no mínimo um ano para o gramado estar pronto.

EC- Mesmo com esse gasto declarado, você tem tirado dinheiro do bolso para fazer melhorias no campo?

S- Infelizmente estou gastando um dinheiro que eu não tenho. O país está em crise , imagine nós que somos pobres, mas aqui eu tenho um dever com a minha filha que deus me deu de volta que é a Vitória e tem o seu Adilson que morreu aqui, nesse campo ele começou a passar mal devido a destruição do campo e temos o ‘’Seu Zé’’ que dá o nome ao campo e que está há 10 anos esperando o campo ficar pronto. Eu só vou sair daqui o dia que ver o campo pronto, aí eu quero descansar um pouco, vamos ver se essa nova gestão eles nos ouvem mais, cuidem daqui e as coisas melhorem, essa é a nossa esperança.

EC-  Está sendo feita uma academia em homenagem ao ‘’Seu Adilson’’. O que ele significa para o Fortaleza?

S- Pra mim ele era aquele pai que brigava comigo, discutíamos em campo, mas ele e o ‘’Seu Zé” viviam isso aqui, deixavam as famílias para vir pra cá. Ás 8 da manhã o ‘’Seu Zé’’ está aqui arrancando capim com a mão.É aquilo que eu sempre falo, o sentimento do político é o bolso, o único político até hoje que nos ajudou se chama Neto Bota.Você gastar 180 mil reais e ver a grama estragando e o Secretário de Obras antigo vir aqui e falar que a grama era perfeita, você vai reclamar pra quem, não tem jeito.

EC- O campo anda sofrendo com invasões?

S- Quanto a isso não há o que reclamar.O vagabundo é 1% da população e eles não tem dia de folga.Já chegou abril e não temos professor trabalhando no Ciase. Estou tendo dificuldade em ter professor aqui, e o vagabundo leva as crianças para um outro caminho. Dentro do Ciase eu não tenho problemas, eles não entram aqui, Aqui quem manda é o Fortaleza, temos uma união. Eu faço a parte de segurança, sou policial e não aceito as drogas aqui, entretanto não estou conseguindo o apoio do poder público, as melhores escolinhas de futebol foram destruídas pela última gestão, a do Fortaleza, do Corintinhans e do Barranco Alto. Isso dá no mínimo 500 crianças, que juntando outras modalidades não se chega a esse número .Só que não se investe no futebol, hoje só tem 2 escolas que são o Bola 10, que não sei por que é lá da cidade e eles agradam. Não se investe nos bairros, estamos em abril e nada de chegar um professor do Fida por aqui por que aqui eles acham que tem muita droga,chegamos aqui cedo e o campo está limpo. Não vejo ninguém fazer nada, não só em Caraguá, parece que quanto pior, melhor.

EC- Como anda a questão do Fida para o CIASE do Travessão?

S- Conversei com o Juninho Pimenta, foi prometido, mas o estado é lento e o traficante não tira folga. Se trabalha muito o centro, e não adianta trabalhar os bairros esporadicamente. O bairro tem que ser trabalhado o dia a dia. Tem que pegar os líderes dos bairros e trabalhar o dia a dia dessas crianças que estão sendo perdidas para as drogas, por que eles não tem opção.

EC- Os núcleos esportivos teriam que trabalhar mais fortemente com as crianças?

S- Me cobraram aqui no bairro, cadê o professor, por que as pessoas passam no Centro Esportivo e vêem muita gente lá. Parece um cabide de empregos.Gente pintando, trabalhando, instalando ar condicionado e os bairros abandonados. Não adianta colocar escolas técnicas só no Centro Esportivo, tem que priorizar os bairros, se hoje o Edinho tem aquela molecada do sub-20 é por que muitos deles passaram pelas escolinhas dos bairros que antes tinham um trabalho forte.

EC- Pra você, por que a estrutura de campos de Caraguá se deteriorou tão rapidamente?

S- Fui em uma reunião de entrega de uniformes uma vez, sabe, de três entregas de uniformes nenhum prestou. Os que recebemos nós passamos pra frente, doamos, por que não dava pra utilizar. Eu ouvi o ex-prefeito Antonio Carlos falando que gastou 2 milhões nos campos de Caraguá, e com 60 pessoas na sala, não ouvi ninguém questionar, gastou em qual campo?Por que você chega no Jaraguazinho e lá tem até vereador e o campo está um lixo, você chega no Getuba e dá vergonha, gastaram 350 mil pra fazer um alambrado, o vestiário é um barraco e nunca vi ninguém de lá reclamar. Infelizmente as pessoas aceitam migalhas, tratam os políticos como reis, quando na verdade são seres humanos igual nós, que tem que escutar os outros e está aí, as urnas puniram por que eles acreditaram que eram os donos da cidade.

EC- Como é realizado o trabalho social do Fortaleza?

S- Hoje o nosso orgulho é o trabalho social.O futebol confesso desanimei. Se algo não mudar o futebol de Caraguá pode acabar. Se a nova gestão não agir diferente da ultima administração vai ficar difícil. Qualquer Zé Mané hoje monta time, sem documentação, sem nada. Todos sofrem, sofre a arbitragem, que eu não sei o que acontece, que surge uma empresa do nada e dificulta a vida dos árbitros. Os mesários são lixos, por isso dá esse rolo todo nos jogos de futebol. O que temos nesses últimos 5 anos é a parte social, distribuição de alimentos, na enchente colaboramos com doações. Daqui saem alimentos para 350 familias, segunda no Perequê Mirim, quarta no Travessão e sexta no Pegorelli, só frutas e verduras, alimentos naturais que lavamos e ensacamos para idosos e deficientes, quero que deixe bem claro que é para idoso e deficiente, não adianta chegar aqui com 5, 6 filhos. Não somos estado, fazemos tudo por nós mesmos.

EC- Que tipo de apoio público você teve até hoje?

S- Nenhum.Temos empresas que confiam na gente mas apoio público nenhum. Estamos conversando agora com a nova gestão,eles nos dão liberdade de falar nossas necessidades, mas como está no inicio da gestão temos que ter paciência pois sabemos dos problemas da cidade, porém se as coisas não andarem cobraremos como cobramos dá ultima gestão.


Evandro Claro