Papo de Sexta com Vitor Gaúcho:história, trajetória e opiniões

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O site de Esportes do Ricardo Mazzei inicia esta semana o Papo de Sexta. Toda sexta feira o site trará uma entrevista com uma personalidade do esporte de Caraguatatuba. E o primeiro convidado é Vitor Gaúcho. Ex-jogador de futebol, participou ativamente da grande fase do Beach Soccer na cidade.É também proprietário dos campos de futebol society que levam seu nome.Ele nos contou muitas coisas sobre sua trajetória e o que pensa sobre o esporte amador de Caraguatatuba.
EC- O que levou o Beach Soccer ao auge na sua época e por que houve a queda depois de sua saída?
VG-Legal levantar este assunto.Esporte é investimento e quando há uma queda de investimento que vem desde a Confederação nacional, consequentemente as cidades são atingidas.Caraguá não foi diferente e mesmo em um estado que conquistou 6 títulos nacionais infelizmente nós tivemos essa perda de caminho.

EC-Como foi sair mais fortemente do Beach Soccer e como empresário partir para o Futebol Society?
VG-São coisas distintas.Temos a empresa que cuida das quadras.Já o Beach Soccer participamos de uma gestão que durou 6 anos.As duas coisas não se atrapalham e profissionalmente elas são levadas de maneira paralela.

EC-Como surgiu a parceria com o Cruzeiro?
VG-Quando montamos os campos já tinhamos a idéia de desenvolver a escola de futebol.Como estamos no estado de São Paulo, procuramos um time que tivesse ligação com a região,já que Caraguá tem muitos mineiros e ao mesmo tempo não fosse do estado por que de repente uma escola do Corinthians acaba inibindo o garoto que é palmeirense de participar.Entramos em contato com o Cruzeiro e conseguimos fechar contrato e estamos aí há 7 anos com essa parceria com o Cruzeiro.

EC-Quantos atletas jovens já passaram por você nos campos?
VG-Até 2015 estávamos apenas com a recreação e passamos a partir daí para o segmento de competição e formação. Hoje os clubes não formam mais os atletas.Eles chegam aos clubes e tem que estar prontos.Quem forma são as escolinhas, os clubes fazem a captação e revelação dos jogadores, eles não tem tempo de realizar a formação pela cobrança que existe por resultados desde a base.Em 7 anos cerca de 3 mil crianças já passaram pela nossa escolinha e temos hoje o trabalho desde o sub-5 até o sub-17.Não temos equipes de competição em todas, mas estamos fazendo a transição dos garotos e alguns estão sendo aproveitados nas equipes de base do XV de Caraguá.

EC-E a parte do aluguel dos Campos Society, quantas pessoas tem aproveitado a estrutura?
VG- Cara, aquilo é um lazer.Felizmente é muita gente.Você observa pessoas ali que ficam muito tempo sem jogar e chegam na hora se sentem como profissionais. É uma diversão que muitos caras levam a sério pois ninguém entra pra perder.É muito prazeroso proporcionar essa diversão.

EC-Caraguá passou um período sem campo society, como surgiu á idéia de partir pra esse ramo?
VG-Isso vem com o crescimento da cidade.Com a falta de terrenos, de campos de futebol se faz necessário o investimento.Surgiu a oportunidade de trabalhar com algo que sempre amei, a gente fez esse investimento e hoje temos os 3 campos e mais um em construção no Barranco Alto.Depois da gente outras empresas vieram pro ramo e eu não as encaro como concorrentes.Sendo pro esporte é preferível montar quadras do que presídios.Quanto Mais você investe no esporte menos você precisará investir em segurança.O esporte é um benefício para a população.

EC- Há algum tempo temos defendido a idéia no Programa de Esportes de um campo society público em Caraguá.Como você acha que isso pode funcionar?
VG-Eu sou suspeito pra falar, mas acho muito boa idéia, porém temos que ter pessoas capacitadas para cuidar desse campo.Temos que entender que não é por ser sintético que não precisa de manutenção.Vejo com bons olhos se colocassem no Cemug.Para as pessoas cuidarem de perto.Se você não trata a grama sintética ela te sai mais cara que á grama natural.

EC-Conta pra gente sua trajetória no futebol profissional.
VG-Minha trajetória começou cedo e terminou cedo.Comecei na base do Internacional em 86, mas por meio de um amigo do meu pai acabei indo para o Grêmio em 87 no juvenil.Em 89 já fiz parte do elenco profissional do Grêmio que foi campeão da primeira Copa do Brasil.Eu tinha 16 anos e subi ao profissional com o Evaristo de Macedo.Entre idas e vindas do profissional para o júniores fomos vice campeões de uma Copa São Paulo perdendo para a Portuguesa.Uma tia minha que morava em São Paulo trabalhava na empresa que patrocinava as luvas do Zetti e algumas pessoas dessa empresa me viram no jogo contra a Portuguesa.Depois do jogo, um dia depois recebi uma ligação dizendo que o São Paulo precisava de um volante para o aspirante.Naquela época o São Paulo tinha 3 times.Porém Como eu saí meio pelas portas dos fundos do Grêmio, eles atrasaram minha documentação e eu acabei ficando parado 6 meses entre 91 e 92.Treinava juntamente com os profissionais daquele time do São Paulo que viria a ser campeão do mundo.Um cara que revelou muitos daqueles atletas se chama "seu" Silva que trabalhava juntamente com o Telê e com o Muricy.Hoje ele mora nos EUA trabalhou 15 anos no São Paulo e não tem o reconhecimento que deveria.Depois do tempo parado o São Paulo me emprestou para o Nacional mas não me adaptei e acabei voltando para Porto Alegre.Fui para o Inter mas acabei tendo 2 problemas de cirurgia e acabei perdendo quase 1 ano.Fui emprestado e disputei o Campeonato Gaúcho pelo Ypiranga de Erechim, depois fiquei 1 ano no São Luiz de Ijuí, acabei indo pra Ulbra e tive outra contusão ficando mais 6 meses parado.
Depois desse período acabei parando.A geração que eu peguei participou de 3 finais de Copa do Mundo.Meu grande erro talvez tenha sido o jeito que eu acabei saindo do Grêmio.

EC-Como você avalia a situação do esporte amador em Caraguá?
VG-Esporte hoje é investimento.A união tem que acontecer para que o esporte amador vá pra frente.E a iniciativa privada tem que participar pois o poder público não dá conta de Tudo.


Evandro Claro
Foto:Vitor Gaúcho